sexta-feira, 24 de junho de 2011

AF Setúbal – Futebol de 7 – Parabéns aos Campeões





Terminaram as competições de Futebol de 7 da Associação de Futebol de Setúbal, parabéns aos campeões, todos eles foram justos vencedores.




Recordemos aqui os campeões:


INFANTIS A:


GINÁSIO CLUBE DE CORROIOS
Ver Clasificação final: http://www.zerozero.pt/edicao.php?id_edicao=20087


INFANTIS B:

ALMADA ATLÉTICO CLUBE
Ver Clasificação final: http://www.zerozero.pt/edicao.php?id_edicao=22336



BENJAMINS A:


VITÓRIA FUTEBOL CLUBE
Ver Clasificação final: http://www.zerozero.pt/edicao.php?id_edicao=21308



BENJAMINS B:


GRUPO DESPORTIVO FABRIL DO BARREIRO
Ver Clasificação final: http://www.zerozero.pt/edicao.php?id_edicao=22005


FS.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Porque simpatizamos com alguns clubes …


A propósito da final da Liga dos Campeões que se disputa em Londres, a 28 de maio de 2011, entre o Manchester United e o F. C. Barcelona, vou aqui recordar as minhas simpatias por clubes europeus, que são em primeiro lugar o Manchester United, em segundo  o F. C. Barcelona e em terceiro o Real Madrid.
Dirão que estas são escolhas lógicas,  pois por estas equipas passaram os melhores jogadores portugueses, dois deles chegaram ao título de melhor jogador do mundo, e são das melhores equipas da atualidade. Esta simpatia nada tem a ver com isso, e até aconteceram em épocas, que as mesmas perderam com equipas portuguesas, títulos europeus, isto já lá vai mais de meio século.

O Manchester United, na época de 1962/63, defrontava o clube da minha simpatia o Sporting Clube de Portugal, que eliminou a equipa do grande capitão Sir Bobby Chralton, depois de ter perdido em Inglaterra por 4-1, com uns concludentes 5-0. Não foi nem pelos resultados, nem tão pouco pelo capitão que fiquei fã do Manchester, foi pelo jogador genial, daqueles que só aparecem de século a século, o irlandês George Best, que hoje pouco se fala dele, quando se apontam os grandes génios, tinha tanto de genial no campo, como extrovertido fora dele.


O F. C. Barcelona, na época de 1960/61, chegava à final da Taça dos Clubes Campeões Europeus que se realizava em Berna na Suíça, o Sport Lisboa e Benfica, treinado então por Bella Gutman, foi o primeiro jogo que vi pela televisão, que acabava de chegar, ainda não a nossas casas, mas nalguns cafés ou coletividades, a preto e branco, o Benfica venceria por 3-2, mas fiquei desde então com grande simpatia por esta equipa.


Com o Real Madrid, na época 1961/62, foi quase uma repetição do que aconteceu no ano anterior, com o Benfica a chegar à final Taça dos Clubes Campeões Europeus, que se realizava em Amesterdão, desta vez para defrontar o outro rival espanhol, o Real Madrid, que a equipa portuguesa venceria por 5-3, depois de uma grande reviravolta. Desta vez as razões que me levaram a simpatizar com este clube não foram bem as mesmas, talvez tenha sido o fato desta equipa ter vencido as 5 primeiras edições desta prova, e no seu seio militarem jogadores como Santamaria, Alfredo Di Stefano e Puskas entre outros, Puskas até marcou nesse jogo 3 grandes golos, que não chegaram para vencer, presenciei também este jogo pela televisão.

Não é por acaso que estes clubes têm uma longevidade tão grande ao mais alto nível, não será só pelo suporte financeiro que possuem, mas também porque investem muito na formação, onde têm as melhores escolas do mundo.

Nesta final que agora se disputa, não me encontro dividido, a minha simpatia vai para a equipa do Manchester, que além de ser a primeira nas minhas escolhas, conta no seu plantel com um jogador Luso-Caboverdiano (Cabo Verde onde vivi quase uma década), o Nani, natural da Ilha do Sal. Se ganhar o Barcelona, não ficarei dececionado, porque é o 2º clube na minha simpatia, por onde passaram jogadores como Luís Figo, Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma, todos eles oriundos das escolas de formação do Sporting Clube de Portugal.

sábado, 14 de maio de 2011

AF Setúbal – Fase Final do Campeonato Distrital de Infantis B

Inicia-se a 21 de maio de 2011 a Fase Final do Campeonato Distrital de Futebol de Infantis B, da AF de Setúbal, depois de disputada a 1ª fase em 3 séries, onde apenas o 1º classificado da cada série era apurado para esta derradeira fase.
Ficaram apuradas as equipas do Almada Atlético Clube, na série A,   Grupo Desportivo Fabril do Barreiro na série B e Playhouse Sport Academia na série C.
A série A foi totalmente dominada pela equipa do Almada desde o início do campeonato.
A série B, talvez a série mais competitiva, onde participaram muitas equipas que no ano anterior na competição de escolas A , passaram às fases seguintes, tendo mesmo uma delas se sagrado campeã (F C Barreirense). O GD Fabril depois de algum domínio a meio da competição, veio a perder alguma vantagem, acabando por se qualificar na última jornada, beneficiando de uma irregularidade cometida pela equipa do Almada B e do empate em casa do D. Portugal com o Q. do Conde, no entanto parece-nos que foi a equipa mais consistente durante toda a competição e está nesta fase por mérito próprio.
A série C, muito desequilibrada entre as equipas de topo e as restantes equipas que compunham a série, foi disputada entre três fortíssimas equipas até à última jornada, depois de alguma indefinição, veio a ser ganha, quanto a nós, pela melhor equipa, a Playhouse Sport Academia, que no entanto teve que fazer apelo a todos os seus argumentos, para levar de vencida, no último jogo uma das concorrentes diretas.
Na fase final tudo pode acontecer, mas para nós as favoritas são as equipas do Almada e da Playhouse, cabendo à equipa do Fabril do Barreiro a missão de contrariar esse favoritismo.
Veja aqui o calendário:

Fotografias trabalhadas a partir de:
Blog Infantis B do Almada:
Blog Infantis B do Fabril:
Facebook de Rafa Bernardo:
FS

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Que quadro competitivo para futebol de 7 da AF Setúbal?

Nas competições de futebol de 7, escalões de formação, vem-se assistindo a resultados que em nada dignificam a competição, senão vejamos, de entre muitos exemplos que poderia apontar, vou destacar apenas 2:

1º Exemplo – Num determinado jogo a equipa visitante venceu a equipa visitada por nada menos de 0-31. No entanto nem tudo foi desequilibrado nesta partida, houve um aspeto do jogo em que o equilíbrio foi notório, o tempo de posse de bola, a equipa vencedora demorou mais ou menos o mesmo tempo, após a recuperação de bola até introduzi-la na baliza adversária, que a equipa vencida demorou a ir buscá-la ao fundo da baliza, passando pela reposição até à sua perda.
Bem esteve o árbitro ao não prolongar o jogo, como está determinado, para compensação das paragens, que com tantos golos, deveria ter mais  15 a 20 minutos, não aumentando assim o calvário da equipa vencida.

2º Exemplo – Numa outra partida com equipas com uma diferença de valor mais ou menos igual ao do primeiro exemplo, a partir da 2ª parte e quando o resultado se aproximava de números equivalentes ao da partida anterior, a equipa que perdia, foi retirando elementos do campo, acabando o árbitro por ser forçado a terminar a partida, antes do fim do tempo regulamentar, dado aquela equipa não ter em campo o número mínimo de elementos para que o jogo pudesse continuar.

São dois exemplos bem elucidativos do que vai acontecendo com bastante frequência todos os fins de semana nas competições da AF Setúbal. Estas situações não beneficiam nem as equipas vencidas, nem  vencedoras, nem tão pouco a formação. Era já tempo da AFS rever o quadro competitivo nestes escalões, à semelhança do que vem fazendo em relação às competições de formação, no futebol de 11, criando 1ª, 2ª e até 3ªs divisões, dado existirem equipas em número suficiente para esse efeito, tornando assim os campeonatos mais competitivos.

domingo, 24 de abril de 2011

AF Setúbal –Benjamins B - Fase Final




Terminou no dia 16 de março a 1ª fase da competição de Benjamins B, com o apuramento das equipas do Beira Mar Atlético Clube de Almada, Grupo Desportivo Fabril do Barreiro e Playhouse Sport Academia, respetivamente na séries A, B e C.
Foram 3 séries bem disputadas com incerteza quanto às equipas que viriam a ser apuradas.




Na série A, a luta prolongou-se até à última jornada, sendo o apuramento só definido por desempate entre o Beira Mar de Almada e o Almada Atlético Clube, pelos resultados entre si.
Na série B, a luta também foi até à última jornada onde se defrontaram os dois primeiros classificados no campo do Desportivo de Portugal, tendo levado a melhor a equipa do Fabril do Barreiro, que venceu esse jogo por uns concludentes 5-0, esta equipa do Fabril é a herdeira da equipa de Escolas C do mesmo clube campeã distrital desta categoria na época 2009/10.
Na série C, a disputa não foi levada até à última jornada, mas também foi uma série com algum equilíbrio entre as equipas do Playhouse, Olímpico do Montijo e do Desportivo Alcochetense, tendo ficado resolvido o apuramento a uma jornada do fim a favor da equipa da Playhouse, equipa que se mostrou mais consistente durante toda a competição. Esta equipa é composta na sua base por jogadores que transitaram da época passada da equipa de Escolas C do F. C. Barreirense, incluindo os seus treinadores.

Numa fase final como esta, não podemos dizer que haja um favorito à partida, porque chegadas até aqui todas as equipas ambicionam a conquista do título, nem tão pouco o facto da equipa do Fabril do Barreiro ser composta pelos elementos que conquistaram o título de Escolas C da época anterior, os pode colocar como favoritos, porque a idade é outra e a evolução nestas idades não se processa da mesma forma para todos os atletas.
Veja o calendário da fase final: http://www.zerozero.pt/edicao.php?id_edicao=22005

FS

segunda-feira, 28 de março de 2011

AF Setúbal - Benjamins A – Balanço da 2ª FASE


Terminou no dia 19 de Março a 2ª fase do campeonato distrital do escalão de Benjamins A da Associação de Futebol de Setúbal.

Foi uma fase bem disputada pelas 18 equipas que a compunham, divididas por 3 grupos, aqui e ali, com alguma polémica pelo meio.

Mas vamos ao que interessa:

No grupo A, o Ginásio de Corroios dominou completamente o grupo não deixando qualquer margem para dúvidas sobre o seu apuramento, ainda bastante cedo, para o segundo lugar que dava também o apuramento para a fase seguinte, houve uma luta renhida entre as equipas do Leão Altivo e  Monte da Caparica até à última jornada, acabando por ser favorável à equipa do Leão Altivo, por desempate nos confrontos entre as duas equipas.

No grupo B, na nossa opinião, o grupo mais forte, com três excelentes equipas, que mereciam estar na 3ª fase, que lutaram até ao fim pelo apuramento, acabou por ficar de fora a equipa que era a favorita à partida, o GD Fabril, tanto para ganhar a série, com o próprio campeonato, provando-se assim que os jogos se ganham no campo e não através do favoritismo antecipado. Surpreendente foi o apuramento da equipa do Futebol Clube Barreirense, apenas para quem não acompanhou a evolução desta equipa desde o início. O apuramento da equipa do Desportivo Alcochetense, foi o que era esperado à partida.

No grupo C, o menos competitivo, destacou-se neste grupo  o Vitória de Setúbal de todas as outras equipas, esta equipa ganhou o grupo com toda a autoridade, contando por vitórias os jogos disputados, ficando o apuramento da segunda equipa reservada ao GDR 1º de Maio e o Pinhalnovense, acabando a primeira por levar a melhor ao derrotar o seu adversário directo a uma jornada do fim.

São estas as equipas que irão a partir de 2 de Abril disputar a 3ª fase desta competição. As restantes equipas disputarão um torneio complementar distribuídas por 2 séries.

Calendários

Torneio Complementar:

FS.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Infantis A - Torneio Complementar


Realizou-se na AF Setúbal, o sorteio do Torneio Coplementar de Infantis A, para equipas que não ficaram apuradas para a 2ª Fase e Fase Complementar da competição.
Veja o resultado do sorteio.
Série A:
http://www.zerozero.pt/edicao.php?id_edicao=20230

Série B:
http://www.zerozero.pt/edicao.php?id_edicao=20231

Série C:
http://www.zerozero.pt/edicao.php?id_edicao=20232

Série D:
http://www.zerozero.pt/edicao.php?id_edicao=20233

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Infantis A - Equipas apuradas para a Segunda Fase e Fase Complementar


Estas foram as equipas que ao longo da 1ª fase demonstraram ser as melhor apetrechadas para integrarem estas duas fases seguintes:
A AF de Setúbal deveria ponderar a criação duma 1ª divisão neste escalão, nesse caso estas 16 equipas constituiriam um bom ponto de partida para integrarem essa divisão.
Poderia ser criada a segunda divisão com 3 ou 4 séries com as restantes equipas que irão disputar o torneio complementar.
Haveria subidas e descidas conforme as classificações.
Equipas apuradas para a SEGUNDA FASE
  • Corroios
  • Barreirense
  • Pinhalnovense
  • Paio Pires
  • Cova da Piedade
  • V. de Setúbal
  • Quintajense
  • "Os Amarelos"

Equipas apuradas para a FASE COMPLEMENTAR
  • Fabril do Barreiro
  • "Os Pelezinhos"
  • Alcochetense
  • Desportivo de Portugal
  • Sesimbra
  • Almada
  • Olimpico do Montijo
  • Sonho XXI - Futindoor
Ver calendário: http://www.zerozero.pt/edicao.php?id_edicao=20089

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

"Formação esportiva: privilégio de alguns ou oportunidade para todos"

1. Introdução

É importante enfatizar e entender que a criança não é um adulto em menores proporções e, o esporte e todo o seu processo e fatores devem ser organizados para ela e não para satisfazer as vontades e anseios dos adultos.
Nesse sentido, Priszkulnik (2002) citando Freud diz que os pais acham-se na obrigação de atribuir todas as perfeições ao filho e de omitir todas as suas deficiências, e ainda, fazer com que a criança realize os "sonhos" que eles não conseguiram.
Essa idéia se aplica não apenas aos pais ou responsáveis, mas também aos professores. Assim, a idéia que se tem é o padrão de adulto a ser atingido. É preciso entender a criança como ser humano que não é pior nem melhor que o adulto, mas quantitativa e qualitativamente diferente.
Entende-se que o processo de formação esportiva, principalmente o treinamento com crianças e adolescentes, não deve visar apenas o alto rendimento, mas um processo de ensino-aprendizagem, ou seja, um processo pedagógico.
O processo de formação esportiva consiste em uma fase onde se pode optar pelo direcionamento da vida esportiva do indivíduo. O principal objetivo é a orientação com os processos, os meios a serem seguidos para contribuir na delimitação, conformação da personalidade do indivíduo e na busca de um referencial da cultura de movimento (GRECO, 2000).
Independentemente de seu potencial, os indivíduos devem percorrer determinadas fases no processo de formação esportiva. Segundo a literatura (BOMPA, 2001; GRECO, 2000; WEINECK, 1999; ZAKHAROV, 1992) o processo de formação esportiva deve se preocupar com uma iniciação básica geral que procure desenvolver todas as capacidades e habilidades motoras básicas, priorizando um trabalho multilateral e variado até aproximadamente 11/12 anos de idade (início da primeira fase puberal - pubescência). A fase seguinte seria a especialização ou formação específica que consiste em treinamento físico, técnico e tático específico para a modalidade escolhida, a partir dos 13 anos de idade aproximadamente (segunda fase puberal). A fase de alto rendimento seria a estabilização e aprimoramento dos aspectos desenvolvidos na fase anterior com o objetivo de performance, recomendado para a fase final da adolescência.
Greco (2000) acrescenta a fase de orientação que sob a base da iniciação básica geral, pode-se começar com a orientação técnica de duas modalidades esportivas, de preferência complementares. Na fase de direção as crianças e adolescentes que não têm potencial para o esporte de alto rendimento devem ser orientadas para que o utilizem como forma de lazer e saúde. Também, deve existir a readaptação do atleta após encerrar sua carreira esportiva para que ele utilize o esporte como lazer e saúde. Abaixo, a proposta de formação esportiva baseada em Greco (2000).
Figura 1. Fases da formação esportiva (Adaptado de GRECO, 2000)

2. Prontidão
Para se analisar o momento que a criança está preparada para a competição esportiva deve-se considerar o conceito de prontidão. Prontidão seriam os pré- requisitos necessários para um novo aprendizado ou novas experiências (FERRAZ, 2002).
O conceito de prontidão está relacionado com o período ótimo de aprendizagem, ou seja, antes disso a aprendizagem é prejudicada e, após, perde-se a oportunidade de explorar o melhor potencial do indivíduo. Não existe um período ótimo para todos os domínios, pois cada um tem suas especificidades.
Com relação à prontidão cognitiva e moral, segundo Ferraz (2002), as crianças pequenas julgam os atos pelas conseqüências das ações sem levar em consideração as intenções ou os motivos (causa e efeito), portanto devem ter orientações diferentes dos adolescentes e adultos.
Até o período da segunda infância e início da adolescência é necessário que se considere o aspecto cognitivo moral complexo demais para essa fase de desenvolvimento, deve-se enfatizar a prática esportiva lúdica (FERRAZ, 2002).

Quadro 1. Desenvolvimento da prática e da consciência das regras (FERRAZ, 2002- baseado em PIAGET)
Reconhecer que a competição é um processo de comparação social requer estruturas cognitivas complexas, ou seja, prontidão social e psicológica.
Até aproximadamente os 10 anos persiste a dificuldade em perceber a complexa relação causal entre os vários fatores que regulam seu desempenho: habilidade, esforço, dificuldade, condições, etc. Assim, atribuir aos resultados causas incorretas pode gerar sentimentos de incompetência ou impotência levando à desmotivação e abandono (FERRAZ, 2002; NASCIMENTO, 2000).
O sentimento de onipotência pode ser também prejudicial para o desenvolvimento da personalidade. A ênfase na vitória se transforma em pressão geradora de ansiedade.
Deve-se priorizar a oportunidade de jogar (participação), o jogar bem , divertir-se, fazer o melhor que se pode. A referência para a melhora deve ser o próprio jogador. O desenvolvimento moral depende da demonstração, da explicitação do modo de produção das regras para que se possa apreciar verdadeiramente o seu real valor.
A prontidão motora está relacionada com o processo de desenvolvimento motor. Diz respeito ao desenvolvimento, combinação, refinamento e especialização de habilidades motoras básicas (locomoção, manipulação e estabilização).
As modalidades esportivas, freqüentemente, utilizam apenas algumas dessas habilidades gerando diminuição do repertório motor, quando trabalhadas precocemente. As técnicas devem ser o ponto de chegada do processo de aprendizagem e não o seu ponto de partida.

Quadro 2. desenvolvimento motor humano e relação com as fases da formação esportiva (Baseado em GALLAHUE, 2002 e GRECO, 2000).
Entende-se que a falta de critérios e procedimentos adequados, como os mostrados anteriormente podem levar à especialização precoce. Pode-se citar como principais causas da especialização precoce a ausência de profissionais preparados; ex-atletas sem qualificação e leigos atuando como professores; e pressão dos pais, dirigentes e responsáveis. Como conseqüência essas crianças e adolescentes podem não chegar às etapas das elevadas prestações esportivas acabando a carreira mais cedo, reduzir o tempo de atividade esportiva de alto nível ou não atingir os rendimentos esperados (BOMPA, 1999; WEINECK, 1999; MARQUES, 1991).
 O fracasso por falta de talento faz com que a criança e o adolescente sintam-se excluídos do meio esportivo. As crianças menores só entendem as emoções simples como alegria e tristeza. As emoções complexas como orgulho, vergonha e culpa dependem da maturidade para compreendê-las. Se uma criança imatura não atinge o resultado esperado e existe uma cobrança para a vitória esse fato pode causar uma frustração e possível abandono (sentimento de derrota), a ênfase na vitória se transforma em pressão geradora de ansiedade (ARENA, 2000). De acordo com o que foi abordado, entende-se que a observância desses procedimentos pode evitar a especialização precoce, incentivar o uso ativo das horas de lazer e valorizar a cultura esportiva e auxiliar para a formação de um indivíduo consciente de seu papel na sociedade.

3. Aspectos socioculturais para a formação esportiva:
    Considerações finais
No processo histórico do esporte o aspecto social sempre esteve presente, porém com objetivos e interesses diversos. Estes diferentes enfoques decorrem de diferentes visões de sociedade ou teorias sociais. As correntes sociológicas como funcionalismo, marxismo, neomarxismo e multiculturalismo tem relações, aproximações e influências diretas com o esporte.
Segundo Cunha Jr. (2000) a teoria funcionalista vê a sociedade como um sistema formado por diversas partes independentes que acabam por formar um todo onde existe uma estratificação social, definida como a valorização diferencial dos indivíduos e seu tratamento como superiores e inferiores em relação a aspectos socialmente relevantes. Predomina nesse modelo uma visão instrumental do esporte que assume funções: compensatória (compensar o trabalho intelectual), utilitarista (preparar o corpo para o trabalho) e moralista (suportar a disciplina e imposições da vida social).
A idéia de que a criança e adolescente através do esporte aprende a convivência social, obediência às regras, esforço pessoal, conviver com vitórias e derrotas, independência, confiança, responsabilidade, tem um papel positivo-funcional camuflando os disfuncionais e colaborando para o perfeito funcionamento e harmonia da sociedade na qual se inserem, sem relacionar o esporte com o contexto sócio-econômico-político e cultural que se objetivam (BRACHT, 1992).
A teoria marxista vem denunciar que o esporte tem servido historicamente aos interesses hegemônicos da classe dominante moldado pelos que detêm o poder e os meios de produção. No capitalismo os trabalhadores são manipulados e coagidos a buscar satisfação pelo consumismo e espetáculos de massa, como o esporte, que está ligado ao consumo através de propagandas, vendas de equipamentos e artigos, entradas, concorrência, disciplina, competição, superação, etc (CUNHA JR, 2000).
As análises que criticam a função socializadora que o esporte e educação física cumpre parte de uma teoria que pode-se chamar de abordagem ou ótica do conflito. Segundo essa teoria é mais correto ver a sociedade do ponto de vista de suas contradições históricas, ou seja, não são harmônicas e funcionais, mas tem contradições fundamentais (BRACHT, 1992).
Bracht (1992) diz que: "Precisamos entender que as atitudes, normas e valores que o indivíduo assume através do processo de socialização no esporte, estão relacionados com sistemas de significados e valores mais amplos, que se estendem para além da situação imediata do esporte" (BRACHT, 1992, p. 183).
Para Coakley (apud CUNHA JR, 2000) a teoria marxista, com relação ao esporte, não considera que as pessoas têm a capacidade de redimensioná-lo de acordo com seus próprios interesses, não defende o esporte regional e recreativo e não entende a participação esportiva como uma experiência criativa, expressiva e libertadora.
O pensamento neomarxista, segundo CUNHA JR (2000), defende que a educação física e o esporte devem ser progressistas e transformadores onde o professor de educação física atue como intelectual construtor de uma nova direção política, de uma nova hegemonia e de uma nova concepção de mundo, superior e democrático indo além da pura e simples transmissão de técnicas de ginástica e esporte.
O referencial do multiculturalismo focaliza as questões pertinentes aos grupos sociais minoritários, no que diz respeito as desigualdades, injustiças, preconceitos sofridos na sociedade. No referencial multiculturalista a educação física e o esporte devem dar atenção à diversidade e ao pluralismo cultural denunciando a ocorrência de discriminação e opressão que tem sido experimentada por alguns segmentos da sociedade (CUNHA JR, 2000).
No ser humano existe a relação triádica indivíduo/sociedade/espécie onde nenhum dos termos deve subordinar-se ou reduzir-se ao outro, pois:

"… a complexidade humana não poderia ser compreendida dissociada dos elementos que a constituem: todo desenvolvimento verdadeiramente humano significa o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e do sentimento de pertencer a espécie humana" (MORIN, 2001, p. 55).

Segundo Garcia (2002), o homem deve ser entendido como um fim e nunca como um meio e o esporte (desporto) deve estar a serviço deste e nunca o contrário. Completa dizendo que uma teoria do esporte deve levar em consideração a diversidade humana e qualquer tentativa de compreensão deve passar por uma reflexão do tipo antropológica.
O movimento não é a essência do antropologia do esporte, mas o movimento processado pela cultura. Tão importante quanto estudar a ação motora é estudar o ser humano que executa essa ação. Assim, o ponto central do esporte passa a ser o praticante e suas representações, não se limitando ao executado (GARCIA, 2002).
Enfim, o esporte não deve(ria) ser pensado, praticado e ensinado com vantagens e privilégios concedidos a poucos e exclusão de outros, ou seja, contra o direito comum de todos terem uma formação esportiva digna e legítima.

Texto de: Alfredo Cesar Antunes -  Mestre em Ciência da Motricidade Humana Faculdade Assis Gurgacz - Cascavel-PR

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

"Efeitos da especialização desportiva precoce no desenvolvimento integral da criança"

Introdução

Atualmente existem diversos estudos comprovando que a prática de atividades físicas e esportivas, quando realizada com conhecimento e responsabilidade, contribui positivamente para o desenvolvimento psíquico, social e motor da criança. Por outro lado, quando o desporto é voltado para a competição e iniciado precocemente, pode trazer graves problemas ao desenvolvimento do praticante.

Neste sentido, Ferreira (2001) afirma que, ao falarmos na relação da criança com a especialização desportiva, não podemos esquecer que o desempenho técnico de uma criança está diretamente ligado às suas possibilidades motoras, ou seja, para exercer total domínio sobre as técnicas individuais de um desporto, faz-se necessário que a criança tenha total domínio sobre seus movimentos. O processo de ensino, para ser eficiente, deve levar em conta o nível de desenvolvimento real da criança e o seu nível de desenvolvimento potencial adequado a sua faixa etária, conhecimentos e habilidades que já possui.

A especialização desportiva precoce é a atividade esportiva que se caracteriza pela alta dedicação aos treinamentos, desenvolvida antes da puberdade e caracterizada, principalmente, por ter uma finalidade eminentemente competitiva. Essa prática pode desenvolver, em crianças competidoras, problemas ósseos, cardíacos, musculares, entre outros, visto que, o treinamento excessivo ou incorreto é extremamente prejudicial à saúde da criança (NETO & VOSER, 2001).

O desenvolvimento integral da criança
De acordo com o conceito de Weineck (1991), o desenvolvimento descreve a soma dos processos de crescimento e diferenciação do organismo, que finalmente levam ao seu tamanho, forma e função definitivas. É dividido em fases que são descritas como períodos de um desenvolvimento uniforme, que podem ser nitidamente distinguidos uns dos outros, através de características claramente distintas. Estas fases assumem um papel decisivo no desenvolvimento integral do ser humano e são caracterizadas por Weineck (1991) da seguinte maneira, de acordo com a sequência de desenvolvimento:
  • Primeira fase: é a fase de lactação. Engloba o período desde o nascimento até o 1° ano de vida, caracteriza-se por um extraordinário aumento de altura e peso e paralelamente ocorre um rápido e progressivo desenvolvimento e diferenciação das funções cerebrais.
  • Segunda fase: é a fase de bebê, que vai do 2° ao 4° ano de vida. Nessa fase o aumento atual da altura e do peso já diminui nitidamente. O cérebro, na idade de dois anos, já alcançou três quartos do peso do adulto, este acelerado crescimento é característico para o rápido desenvolvimento do cérebro e do cerebelo, o que assume um importante papel no controle das funções mentais e equilíbrio do corpo.
  • Terceira fase: a idade pré-escolar é a terceira fase e abrange o período de cerca de 3-6/7 anos (entrada na escola). Com quatro anos a criança já dobrou seu tamanho de nascimento e seu peso é cerca de cinco vezes maior. Esta faixa etária caracteriza-se por um alto ímpeto para movimentos e brincadeiras e possui uma pequena capacidade de concentração.
  • Quarta fase: é a primeira infância escolar, abrange o período entre o início da escola (6/7 anos) e aproximadamente os 10 anos de idade (fim do ciclo básico escolar). Até o 9°/10° anos de vida o desenvolvimento da altura e peso ocorrem de forma mais ou menos paralela nas meninas e nos meninos, a capacidade de aprendizagem e desempenho motor é muito boa. Outras características são o bom equilíbrio psicológico, atitude otimista em relação à vida, despreocupação, aquisição entusiasmada, mas destituída de crítica, de conhecimento e habilidades.
  • Quinta fase: é a da infância escolar tardia, que inicia aproximadamente aos 10 anos e dura até a entrada na puberdade. Esta faixa etária geralmente é considerada a melhor idade para aprender. A criança está mais encorpada, as proporções corporais otimizadas e o crescimento da força relativamente mais acentuado, com menor aumento do tamanho e força. A acentuada necessidade de movimentos e o arrojo continuam a existir, a coragem e a disposição para o risco exercem uma influência extremamente profícua sobre a capacidade de desenvolvimento motor.
  • Sexta fase: é a primeira fase puberal, que começa com 11/12 anos (meninas) e 12/13 (meninos) e dura até os 13/14 e 14/15 anos, respectivamente. Weineck também diz que a liberação dos hormônios específicos do sexo leva ao desenvolvimento dos caracteres sexuais primários e secundários, assim como as alterações típicas no âmbito da estrutura corporal. A alteração completa da existência psicofísica e social leva a radicais revoluções nos interesses gerais, o que não passa sem conseqüências para o interesse esportivo. Também as expectativas que são ligadas à atividade esportiva, sofrem uma mudança radical.
  • Sétima fase: a Segunda fase puberal (adolescência), é a última fase do desenvolvimento e começa aos 13/14 anos (meninas) e 14/15 (meninos). A adolescência forma a última fase do desenvolvimento da criança para o adulto, sendo caracterizada por uma diminuição de todos os parâmetros de crescimento e de desenvolvimento. Na segunda fase puberal, fase de encorpar e re-harmonizar, ocorre então um progressivo retardamento e finalmente paralisação destas medidas de crescimento.
Nesse contexto, Proença et al (1988) ressaltam que o desenvolvimento, biologicamente, pode ser caracterizado por três fases importantes para a educação física: a fase pré-puberdade, a fase da puberdade e a fase pós-puberdade. Na fase pré-puberdade a criança está mais apta a desenvolver atividades e capacidades perceptivo-motoras do que as capacidades físicas. Há uma aceleração no crescimento físico e no funcionamento dos sistemas vegetativos, que aumentam a capacidade da criança de responder às demandas da atividade muscular. Com isso, a educação física para crianças pré-púberes deve enfatizar o desenvolvimento de habilidades e capacidades perceptivo-motoras considerando as limitações impostas à performance pelas capacidades físicas.

Durante a fase puberal a prática de atividades motoras regulares parece ser fundamental para a prevenção de enfermidades relacionadas à falta de atividade. Isto se torna mais importante se considerarmos que, na puberdade, há uma diminuição da atividade física espontânea da criança, em geral, bastante elevada na criança pré-púbere. Antes de completar a puberdade, devem ser evitadas atividades que envolvam grandes sobrecargas sobre o sistema ósteo-articular e contatos físicos violentos, pois, há riscos de lesões sobre as cartilagens de crescimento que são ainda muito frágeis até este período.

Após a maturação sexual plena, na fase pós-puberdade, as crianças poderão ser tratadas e consideradas como adultos, já que finalmente elas são capazes de regular a intensidade da atividade muscular de acordo com as suas limitações.

Segundo Quintão et al (2004), o desenvolvimento do ser humano se dá a partir da integração entre a motricidade, a emoção e o pensamento. O processo de desenvolvimento do indivíduo tem relação direta com seu ambiente sócio-cultural e estes não se desenvolveriam plenamente sem o suporte de outros indivíduos da mesma espécie.

Nesse sentido, o profissional de educação física possui ferramentas valiosas para provocar estímulos que levem a esse desenvolvimento de forma bastante prazerosa: a brincadeira, o jogo e o esporte. A escola, ao estabelecer situações desafiadoras para seus alunos, tem um papel fundamental no aprendizado e consequentemente no desenvolvimento dos indivíduos.

É importante ressaltar que cada fase do desenvolvimento infantil tem suas próprias características e, portanto, exige estudos aprofundados sobre os métodos pedagógicos, a peculiaridade de cada fase pela qual o aluno passa e as particularidades de cada jogo, brincadeira ou esporte que possam auxiliar o educando no seu desenvolvimento integral (QUINTÃO et al, 2004).

Iniciação e especialização esportiva na infância
A iniciação esportiva e competitiva de crianças, ainda nos primeiros anos de vida, é muito freqüente. Esse fato, em grande parte, pode ser atribuído à forte influência dos adultos sobre a criança, sendo que nos países de maior hegemonia esportiva mundial esse fenômeno acontece com mais regularidade.

De acordo com a Direção Regional do Desporto – DRD (2004), a etapa da iniciação desportiva inicia-se por volta dos 8 anos e prolonga-se até os 12 anos. Esta etapa caracteriza-se por objetivos educativos e formativos, apresentando atividades variadas e multi-desportivas, ajustadas às diferentes características dos escalões etários a que se destinam. Tem por objetivos apontar para o desenvolvimento global e harmonioso das crianças e para o desenvolvimento de suas capacidades e oportunidades de revelarem as suas aptidões. É um período que abrange desde o momento em que as crianças iniciam-se nos esportes até a decisão por praticarem uma modalidade, por isso, os conteúdos devem ser ensinados respeitando-se cada fase do desenvolvimento das crianças (OLIVEIRA & PAES, 2004).

A especialização desportiva compreende o processo percorrido por uma pessoa (normalmente a criança), desde a escolinha até o esporte competitivo. Durante este processo existem algumas etapas pelas quais a criança passará, após a iniciação, que são as fases de aprendizagem, treinamento progressivo, melhora e aperfeiçoamento. (NETO & VOSER, 2001).

A etapa de especialização desportiva pode ser dividida em três fases de desenvolvimento: fase especialização esportiva I; fase de especialização esportiva II; e fase de especialização esportiva III. Cada fase, apresentada a seguir de acordo com Oliveira e Paes (2004), possui objetivos específicos para o ensino formal e está de acordo com as idades biológica, escolar e cronológica, diferenciando-se de modalidade para modalidade.

Fase de especialização esportiva I: corresponde da 1ª à 4ª séries do ensino fundamental, atendendo crianças da primeira e segunda infância, com idades entre 7 e 10 anos. Nessa fase, o envolvimento das crianças nas atividades desportivas deve ter caráter lúdico, participativo e alegre, todas as crianças devem ter a possibilidade de acesso aos princípios educativos dos jogos e brincadeiras, o que irá influenciar positivamente no processo ensino-aprendizagem.
Fase de especialização esportiva II: é marcada por dar início à aprendizagem de diversas modalidades esportivas dentro de suas particularidades, atendendo crianças e adolescentes da 5ª à 7ª séries do ensino fundamental, com idades aproximadas de 11 a 13 anos, correspondente à primeira idade puberal.

Fase de especialização esportiva III: corresponde à faixa etária aproximada de 13 a 14 anos, às 7ª e 8ª séries do ensino fundamental, quando os atletas estão passando pela pubescência. Enfatiza-se o desenvolvimento dessa fase, para os alunos/atletas, a automatização e o refinamento dos conteúdos aprendidos anteriormente, nas fases de especialização esportiva I e II, sendo que a aprendizagem de novos conteúdos é fundamental nesse período.
Para Voser (2004), a especialização desportiva é um processo de ensino aprendizagem mediante o qual o indivíduo adquire e desenvolve as técnicas básicas para o desporto. O autor alerta que o trabalho de iniciação requer cuidados especiais, visto que, a infância, por ser a melhor fase para o desenvolvimento dos fundamentos técnicos, exige a realização de um trabalho com a devida moderação e que respeite as fases do desenvolvimento da criança.

Para o desenvolvimento de um trabalho de especialização é de suma importância possuir um conhecimento mais amplo a respeito do grupo com que se irá trabalhar e isto requer pesquisas e estudos nas áreas diretamente envolvidas com o trabalho. As atividades desportivas e corporais, embutidas nas práticas regulares de educação física e na iniciação desportiva, aguçam de forma direta os domínios cognitivos e psicomotores da criança. A educação através do movimento, além de ser a base da educação generalizada, tem uma relação bem íntima com a iniciação desportiva, uma vez que, a criança bem desenvolvida no aspecto psicomotor, responde melhor aos estímulos à sua volta; o que facilita o aprendizado das técnicas específicas de um desporto. Desse modo, aprender a utilizar um desporto seria aprender a utilizar técnicas corporais básicas adequadas às características específicas de uma modalidade esportiva, logo, podemos considerar que a aprendizagem desportiva, é essencialmente uma aprendizagem corporal e motora (FERREIRA, 2001).

A especialização desportiva precoce
De acordo com Fuzihara e Souza (2005), a especialização desportiva precoce ocorre quando crianças são introduzidas, antes da fase pubertária, a um processo de treinamento planejado e organizado em longo prazo, e que se efetiva em um mínimo de três sessões semanais, com o objetivo do gradual aumento do rendimento, além, da participação periódica em competições esportivas.

Esta prática gera muitas controvérsias no mundo da atividade físico-esportiva, algumas pessoas apóiam totalmente esse processo, enquanto outras consideram ser um atentado contra a criança e defendem a proibição ou no mínimo a sua regulamentação.

Brasil (2004) argumenta que a especialização desportiva precoce define a prática intensa, sistematizada e regular de crianças e jovens antes das idades consideradas normais. O autor refere-se à especialização precoce como o resultado da aplicação de sistemas de treino não adequados ou a utilização literal dos sistemas de treino dos adultos com crianças ou jovens. Segundo ele, a iniciação desportiva precoce caracteriza-se por cargas de treino muito intensas, que promovem rápidos desenvolvimentos da prestação desportiva nas fases iniciais, mas que levam a um esgotamento prematuro da capacidade de rendimento, promovendo aquilo que se designa por barreiras de desenvolvimento.

Por outro lado, Weineck (1991) acredita que a especialização no tempo certo é inevitável no esporte de alto nível. Porém, afirma que ela deve ocorrer o mais tarde que for necessário e com base em uma estrutura de treinamento adequada ao desenvolvimento. Deve ainda levar em consideração o desenvolvimento individual que contém um aumento regular da carga nos moldes de uma formação básica múltipla e, principalmente, que garante o desdobramento ideal das capacidades coordenativas gerais, ou seja, a aquisição das habilidades motoras no tempo certo.

Do ponto de vista de Ferreira (2001), a competição desportiva não é má nem boa e não constitui necessariamente uma experiência a impor à criança. Deve-se, no entanto, levar em conta que o fenômeno desportivo é complexo e gera muitas polemicas quando se trata de equacionar o desporto em crianças jovens quanto a sua formação, desenvolvimento e manifestação de valores ético-desportivos. O desporto para crianças deverá respeitar o contexto próprio para a sua idade, assumindo um papel formativo e fora de qualquer manipulação exercida pelos adultos, e ainda deverá promover a existência de uma concepção lúdica, respeitadora do seu desenvolvimento físico, mental, ético e social.

Os riscos da especialização desportiva precoce para a criança
Conforme Neto e Voser (2001), os prejuízos de uma especialização precoce podem ser divididos em quatro grandes áreas: físicos, psicológicos, motrizes e riscos do tipo esportivo. Os prejuízos de tipo físico se referem aos danos que a prática esportiva competitiva, iniciada precocemente, pode ocasionar à saúde corporal das crianças. Dependendo da especialidade esportiva, os problemas detectados podem ser ósseos, cardíacos, musculares e articulares. Em crianças em pleno desenvolvimento, um treinamento longo e muito intenso ocasiona uma carga demasiadamente forte para os ombros e articulações dos membros inferiores.

Na área psicológica são agrupadas todas as conseqüências negativas que se relacionam com a conduta e o estado mental dos sujeitos. Os níveis de ansiedade, estresse e frustração são anormalmente altos em crianças competidoras.

A criança esportiva também pode sofrer do que alguns autores chamam de “infância não vivida”, decorrente da exigência e da alta dedicação aos treinamentos que ocupam grande parte do tempo da criança, o que prejudica até mesmo a sua formação escolar, pois esta acaba tendo menos tempo para as atividades escolares e participa menos das brincadeiras e jogos do mundo infantil, atividades que são indispensáveis ao pleno desenvolvimento de sua personalidade.

Os prejuízos de tipo motriz são aqueles relacionados com a falta de base poliesportiva que acompanha a especialização esportiva precoce. Em casos de esportes competitivos, que visam somente o rendimento em seu aspecto concreto de execução motriz e geralmente ignoram os outros importantes objetivos educacionais que o esporte pode oferecer, a criança pode inclusive impossibilitar-se da prática futura de um esporte diferente daquele que praticou durante toda sua infância.

Por fim, os riscos de tipo esportivo podem ocasionar uma iniciação incorreta da criança no esporte, pois por ser muito pequeno é muito difícil conhecer suas características futuras com exatidão, podendo-se assim iniciar um atleta em um esporte no qual não possui as mínimas condições especiais exigidas.

Os perigos da especialização precoce, conforme Weineck (1991) fundamentam-se especialmente nos seguintes pontos:

As cargas e conteúdos de treinamento freqüentemente unilaterais menosprezam a necessidade de uma formação múltipla, poliesportiva, como base para futuras cargas abrangentes e intensivas.

Cargas físicas unilaterais e muito rapidamente elevadas podem levar a sobrecargas dos sistemas atingidos. Se cartilagem, ossos, tendões e ligamentos forem exigidos não fisiologicamente além de sua capacidade de suportar carga, então, podem ocorrer precocemente manifestações de desgaste nestas áreas. Através da super-exigência funcional, ou descuido em relação a grupos musculares especiais, ocorre uma redução da amplitude da articulação, com uma sobrecarga dos respectivos segmentos articulares, o que favorece prematuramente as alterações artróticas, podendo prejudicar o processo de treinamento.

Cargas unilaterais, ou monótonas, e muito intensivas, podem levar rapidamente a uma saturação psicológica, principalmente a utilização acentuada de conteúdos de treinamentos à idade.

Em relação aos prejuízos de uma especialização precoce dentro das competições, Mutti (2003) garante que o maior e pior erro cometido na fase de iniciação é a cobrança de resultados. Para conquistar resultados, muitos técnicos pressionam e cobram o melhor rendimento, sendo que esta cobrança de resultados, nessa fase, compromete todo o processo de formação e preparação dos jovens e ainda coloca a criança sob o risco de sofrer lesões.

Neste aspecto, os pais também podem cometer alguns erros. Muitos pais querem se realizar a custa dos filhos e observam no filho aquilo que eles não foram capazes de ser ou conseguir. Outros transferem para o filho a responsabilidade de ser o representante da família acreditando que no desempenho da criança estará o orgulho ou a vergonha da família. Há ainda pais que acham que seus filhos são os melhores e os exaltam demais, e na mesma proporção esperam deles o máximo e não admitem fracasso, chegando até a puni-los. Todos esses tipos de comportamento são notados pelas crianças, que em resposta apresentam algumas reações como ansiedade, medo, nervosismo, revolta, etc. Estas reações são extremamente prejudiciais, tanto no momento do jogo como na formação da personalidade da criança (MUTTI, 2003).

Segundo Pini (1978) O trabalho muscular intenso e excessivo, associado à sobrecarga emocional que a competição provoca, pode ocasionar perturbações no desenvolvimento normal da criança, principalmente no ritmo do crescimento em altura e no desenvolvimento somático, funcional e intelectual.

Quando o treinamento esportivo é realizado precocemente de forma intensa e sistemática podem instalar-se perturbações no aparelho locomotor representadas pela resistência desproporcional entre a parte óssea e a hipertrofia muscular instalada. Surgem também conseqüências psicossomáticas relacionadas a dificuldades no aprendizado, dificuldades de memorização e o conseqüente desinteresse pela vida escolar. Além destes danos físicos e psicológicos a especialização esportiva precoce pode causar uma patologia conhecida como "síndrome da saturação esportiva", que é caracterizada, principalmente, por apatia, indiferença ou até aversão pela prática esportiva ou pelos fatos a ela relacionados exatamente no momento em que deveriam ser intensamente praticados (Pini, 1978).

Considerações finais
Todos sabemos da real importância da atividade física, praticada pela criança, para seu crescimento e desenvolvimento adequados. No entanto, é necessário analisar cuidadosamente que a exigência de altos rendimentos nas primeiras fases da vida pode vir a ser muito mais prejudicial que positiva. O fenômeno da especialização desportiva precoce, embora possa levar a uma rápida estagnação do desempenho, deve ocorrer o mais tarde que for necessário e com base em uma estrutura de treinamento adequada, levando-se em consideração o desenvolvimento individual das capacidades coordenativas da criança e a aquisição de suas habilidades motoras no tempo certo. Caso este treinamento esportivo seja realizado de maneira incorreta e irresponsável poderá causar diversos prejuízos à saúde e ao desenvolvimento da criança, como os riscos físicos, psicológicos, riscos do tipo motriz e os riscos de tipo esportivo.

Como se pode perceber, o trabalho de especialização desportiva requer cuidados especiais referentes às fases do desenvolvimento infantil. Entende-se então que é necessário que se aplique à criança um modelo de esporte adequado às suas necessidades, características e possibilidades reais.
Texto da autoria de Ellen dos Santos Soares,  Especializanda em Atividade Física Desempenho Motor e Saúde UFSM, RS (Brasil)
Retirado do site:http://www.efdeportes.com/efd149/efeitos-da-especializacao-desportiva-precoce.htm

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

AF de Setúbal - Benjamins A - Equipas apuradas para a segunda fase

Foram  apuradas para a segunda fase do campeonato distrital de Benjamins A, as equipas que a seguir indicamos, distribuídas pelos grupos A, B e C.
Exceptuando algumas surpresas e, equipas que tinham grandes ambições, podemos considerar que foram apuradas aquelas que no terreno de jogo demonstraram ser as melhores.

Grupo A:
- Corroios
- Leão Altivo
- Monte da Caparica
- Arrentela
- Seixal
- Sesimbra
Ver calendário em: http://www.zerozero.pt/edicao.php?id_edicao=19758

Grupo B:
Fabril do Barreiro
Barreirense
Sp. Vinhense
Alcochetense
O. do Montijo
1º de Maio Sarilhense
Ver calendário em: http://www.zerozero.pt/edicao.php?id_edicao=19780

Grupo C:
V. Setúbal
GDR 1º de Maio
"Os Pelezinhos"
Pinhalnovense
Grandolafoot
Alcacerense
Ver calendário em: http://www.zerozero.pt/edicao.php?id_edicao=19759

terça-feira, 26 de outubro de 2010

As opiniões do Prof. Luís Castro (coordenador técnico do futebol portista)







Três parágrafos retirados do Portal do Dragão, no âmbito do  “III Seminário de Futebol do SC Freamunde”, onde o prof. LUÍS CASTRO falou sobre o tema "Para um jogo melhor"




"Achámos que estar no FC Porto é um acto responsável e de responsabilidade e têm de se cumprir determinados critérios. No clube isso também é ganhar e, como tal, é preciso criar jogadores que saibam que ganhar é importante", explicou, garantindo que ninguém entra em “desespero” se tal não for conseguido.

Neste processo, o técnico de futebol disse não bastar a execução e destacou a importância da "compreensão, decisão, conhecimento do jogo e o divertimento", considerando que, "na formação, a primeira questão que se coloca ao treinador é ensinar a jogar".

"Um dos problemas associados ao jogo está na sobrevalorização do ganhar em detrimento do jogar", referiu, em claro contraponto ao que, a seguir, defendeu, Luís Castro, este numa perspectiva de formação mais voltada para o alto rendimento (profissionalização).



Excerto retirado do site: http://www.fcporto.ws/Forum/viewtopic.php?pid=368781

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